“Rifa-se um coração quase novo.
Um coração idealista.
Um coração como poucos.
Um coração à moda antiga.(…)”
Trecho de Rifa-se um coração – Clarice Lispector
Por ironia do destino, foi um dos primeiros que encontrei um tempo atrás. À primeira vista, poderia ter sido escrito por mim, mas exigiria muita sinceridade. Não o faria. Leio e releio sempre. Como pode alguém descrever tão bem o coração humano?
Quando falo ironia do destino é simples. Quem me conhece sabe que já passei por poucas e boas em matéria de coração. Desculpas não faltariam para virar uma freira ou monge budista. Justificáveis, aliás. Como não faltariam motivos para ser uma rebelde, com mil besteiras a fazer. Não optei por nenhuma das duas opções.
É incrível como meu coração, machucado, apedrejado, pisoteado, insiste em me fazer manter a esperança. É inadmissível presenciar tamanha coragem, tamanha vontade de sentir, de amar. Por Deus como ele ama. Mas ama DEMAIS, com exagero, com intensidade, voracidade, com a alma.
São amores diferentes, amores verdadeiros. Tudo é muito visceral – TODOS os sentimentos exigem muito, são pesados e tão densos, que assustam. São amores tão grandes que não cabem em mim e sempre têm um tom de drama, principalmente nos trágicos fins.
Na hora que ele deveria estar escondido, o máximo que faz é falar “pense e não repita os mesmos erros – estou contigo pro que der e vier”. Ô coração burro. Nem pra pedir um tempinho. O poder de regeneração dele deve ser estudado! Não deve ser algo normal. Enfim, cá estou. Pensando, em mim e nele. Porque um coração desses deve ter algum sentido e objetivo maior. DEVE ter.
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